A sanção da Reforma Tributária marca o fim de um longo período de debates e o início de uma fase mais concreta para as empresas brasileiras. A lei deixa de ser apenas um tema de discussão e passa a integrar, ainda que de forma gradual, a rotina de gestão, planejamento e tomada de decisão dos negócios.

Para muitos empresários, a percepção inicial é de que se trata apenas de uma mudança de tributação e que a adequação fica restrita à contabilidade e aos contadores. Essa leitura, embora compreensível, pode ser enganosa. A Reforma Tributária reorganiza a relação entre preço, caixa e margem, exigindo uma leitura mais ampla sobre seus possíveis impactos econômicos.

Os ajustes passam a ser exigidos em duas frentes. Do lado do empresário, na forma de precificar, cobrar, planejar orçamento e organizar o fluxo de caixa no curto, médio e longo prazo. Do lado da contabilidade, no papel de orientar sobre emissão de notas, apuração e pagamento de IBS e CBS, além de garantir que todas as obrigações tributárias e contábeis sejam cumpridas corretamente em um período de transição e adaptação.

A partir de agora, a Reforma Tributária deixa de ser apenas um projeto de lei e passa a funcionar como um teste da capacidade de adaptação das empresas.

A Reforma Tributária como tema de gestão econômica

Quando a Reforma Tributária é tratada apenas como um tema técnico, o risco é subestimar seus efeitos práticos. A nova lógica de tributação sobre o consumo reposiciona a formação de preços e interfere na dinâmica financeira das empresas. Mesmo com uma implementação gradual, as decisões tomadas no início da transição passam a ser feitas sob maior incerteza e podem influenciar, positiva ou negativamente, margem, competitividade e capacidade de investimento ao longo dos próximos anos.

Preço, caixa e margem passam a operar de forma mais integrada. Alterações na carga tributária, no aproveitamento de créditos e na forma de recolhimento afetam o capital de giro e a previsibilidade financeira. Esse cenário exige do empresário uma leitura mais cuidadosa da operação, especialmente em negócios que já operam com margens ajustadas.

Nesse contexto, torna-se essencial avaliar se o preço praticado sustenta a estrutura de custos e se o caixa absorve a dinâmica financeira imposta pela nova lógica tributária.

Quando preço deixa de ser apenas comercial e vira decisão fiscal-financeira

Com a Reforma Tributária, a formação de preços deixa de ser uma decisão exclusivamente comercial. Isso decorre da combinação de três mudanças estruturais: a não cumulatividade plena, a alteração na lógica de recolhimento dos tributos sobre o consumo e, de forma progressiva, a implementação do split payment.

Esses elementos reposicionam o imposto em relação à margem e ao caixa da empresa. A não cumulatividade plena reduz distorções e elimina efeitos artificiais de margem. A mudança na lógica de recolhimento aproxima o imposto do fluxo financeiro da operação. Já o split payment, previsto para entrar em vigor de forma gradual a partir de 2027, restringe o uso do tributo como instrumento indireto de financiamento da operação, ao separar essa parcela no momento da liquidação da transação.

Em muitos negócios, especialmente no setor de serviços, o preço historicamente foi construído a partir de referências de mercado, percepção de valor e necessidade de faturamento. Esse modelo passa a ser confrontado por uma exigência maior de precisão. Preços mal calibrados colocam em risco a margem ao expor fragilidades financeiras que antes ficavam diluídas no tempo.

Nesse cenário, a precificação exige leitura integrada entre as áreas comercial, financeira e contábil. A pergunta deixa de ser apenas “quanto o mercado aceita pagar” e passa a incluir “quanto esse preço sustenta a operação em um ambiente com menos amortecedores financeiros”.

O impacto não está só na alíquota

Um dos equívocos mais comuns é concentrar a análise da Reforma Tributária apenas na comparação de alíquotas. O impacto relevante não está apenas no percentual, mas na combinação entre tributação, aproveitamento de créditos, prazos de recolhimento e efeitos sobre o fluxo financeiro.

Empresas com pouca capacidade de repasse de preços, estrutura de custos rígida ou forte dependência de mão de obra vão enfrentar maior pressão nesse cenário. No setor de serviços, essa sensibilidade decorre da própria natureza da operação, e não de falhas do modelo.

A Reforma Tributária tende a expor estruturas mais frágeis e ampliar a distância entre empresas que conhecem seus números e aquelas que operam no limite da margem sem visibilidade clara.

Caixa como variável crítica na transição tributária

Outro ponto frequentemente subestimado é o impacto da Reforma Tributária sobre o fluxo de caixa. Mecanismos como a não cumulatividade plena e o split payment vão reorganizar o momento em que o imposto deixa o caixa da empresa, reduzindo a margem de manobra financeira em operações que já trabalham com capital de giro limitado.

Para empresas que operam com recebimento parcelado, prazos longos ou alta dependência do faturamento mensal para sustentar custos fixos, essa reorganização exige atenção redobrada.

Negócios que não revisarem sua estrutura de caixa durante a transição correm o risco de apresentar resultado positivo no papel e enfrentar tensão financeira na prática. A dissociação entre lucro contábil e caixa disponível tende a se intensificar ao longo do tempo quando não há ajuste estrutural.

O efeito acumulado das decisões adiadas

Um dos aspectos mais relevantes da transição é o efeito cumulativo das decisões. A perda de margem ou o aperto de caixa não vão surgir de forma abrupta. Eles se constroem mês a mês, a partir de pequenos ajustes não feitos ou escolhas postergadas.

Empresas que mantêm preços desatualizados, contratos desequilibrados ou estruturas de custo incompatíveis com a nova lógica tributária perceberão o impacto de forma silenciosa. Quando o problema se tornar evidente, o espaço de correção já será menor e exigirá sacrifícios maiores.

A adaptação estrutural não acontece em um único movimento. Ela depende de acompanhamento contínuo, revisões periódicas e disposição para ajustar o modelo conforme a empresa aprende a operar no novo ambiente tributário.

Adequação técnica não é adaptação estrutural

Cumprir corretamente as novas regras é condição mínima, mas não suficiente. A adequação técnica vai garantir conformidade, mas não assegura sustentabilidade econômica.

A adaptação estrutural envolve revisar a forma como a empresa gera receita, organiza custos, define preços e planeja crescimento. É nesse ponto que muitas empresas correm o risco de se confundir, ao acreditar que estar em dia com a legislação significa estar preparada para os impactos econômicos da Reforma.

A adequação técnica resolve o presente. A adaptação estrutural define o futuro.

O papel da contabilidade consultiva nesse cenário

Nesse contexto, a contabilidade deixa de ser apenas um suporte operacional e passa a assumir um papel estratégico. O contador consultivo conecta as regras tributárias à realidade financeira do negócio, com o objetivo de ajudar o empresário a antecipar impactos antes que eles se manifestem na operação.

Por meio de simulações, projeções e análises integradas, a contabilidade consultiva passa a apoiar decisões de preço, estrutura e planejamento financeiro. Não se trata apenas de cumprir a legislação, mas de orientar escolhas que busquem preservar margem, caixa e sustentabilidade ao longo da transição.

Essa atuação exige proximidade com a gestão e leitura contínua da operação, especialmente em um ambiente de mudanças graduais e cumulativas.

A atuação da Pigatti na adaptação à Reforma Tributária

Na Pigatti, a Reforma Tributária é tratada como um processo de adaptação estrutural. A atuação consultiva envolve integração entre as áreas fiscal, contábil, societária e financeira, sempre conectada à realidade operacional das empresas atendidas.

O foco está em apoiar empresários na leitura dos impactos sobre preço, caixa e margem, auxiliando na revisão de estruturas, na simulação de cenários e no planejamento financeiro ao longo da transição. Mais do que cumprir obrigações, o objetivo é apoiar decisões conscientes em um cenário que exigirá adaptação contínua. Conheça mais sobre a atuação da Pigatti pelo link: https://pigatti.com.br/

O desafio começa agora

Com a sanção da Reforma Tributária, o debate sai do campo teórico e entra no dia a dia das empresas. O desafio não está apenas em entender a lei, mas em reorganizar a gestão econômica do negócio diante de uma nova lógica tributária.

Empresas que incorporarem essa discussão à agenda estratégica tendem a atravessar a transição com mais previsibilidade e controle. As que tratarem a Reforma apenas como um ajuste contábil podem descobrir, ao longo do caminho, que o impacto mais relevante não esteve no imposto, mas nas decisões que deixaram de ser tomadas.

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