
O Ministro da Economia Fernando Haddad essa semana falou em uma entrevista que ao entrar numa empresa brasileira há mais contadores que engenheiros. Que a Reforma Tributária, a partir de 2027, trará uma desoneração de encargos e serviços contábeis nas empresas, uma vez que que tudo será digital. Ou seja, deixou nas entrelinhas que o contador será “dispensável”.
Outra declaração contra a categoria foi a do prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil). Ele abriu uma crise entre a Prefeitura da cidade e a classe contábil ao se expressar sobre a categoria.
Durante entrevista a uma Rádio local no último dia 12 de fevereiro, o político afirmou que “contador está assaltando o empresário” ao cobrar taxas para a emissão de notas fiscais.
O Conselho Regional de Contabilidade de Goiás (CRCGO) reagiu com uma nota de repúdio, classificando a fala como “grave, desrespeitosa e injusta”.
Mabel questionou a cobrança de valores que, segundo ele, chegam a R$ 40 por cliente para a emissão de documentos eletrônicos. “Um contador pode emitir para 1.000 empresas. Ele tem o programa, pode emitir quantas notas ele quiser. Então não tem custo”, declarou o prefeito, sugerindo que a automatização do processo deveria isentar o empresariado de taxas adicionais.
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Impasse tecnológico
O conflito ganha contornos técnicos devido à transição para a NFS-e (Nota Fiscal de Serviços Eletrônica) de padrão nacional, adotada por Goiânia em dezembro de 2025 devido à reforma tributária.
Diferente de outros municípios que aderiram ao software gratuito do governo federal, a prefeitura local determinou que os contadores utilizem sistemas terceirizados.
Segundo profissionais da área, essa exigência gera custos operacionais diretos, com softwares cujas mensalidades variam de R$ 39,90 a R$ 109,90. O CRCGO defende que o trabalho contábil vai além do clique técnico, envolvendo orientação ética e atualização constante perante as normas públicas.
Nota de repúdio do CRC-GO
Em nota oficial, o Conselho reiterou que os contadores atuam “de forma técnica e responsável” para manter a conformidade das empresas.
O conselho definiu a declaração do prefeito como “grave, desrespeitosa e injusta”. Defendeu que os profissionais da contabilidade atuam para orientar empresários.
“A fala é grave, desrespeitosa e injusta com milhares de profissionais da contabilidade que atuam de forma ética, técnica e responsável, cumprindo rigorosamente a legislação vigente e orientando empresários quanto às constantes atualizações normativas impostas pelos entes públicos”, diz a nota do CRC-GO.
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