Em um universo organizacional cada vez mais, veloz, mutável e fascinante, com conexões multitarefa, o exercício da auditoria interna não produz tédio. Mesmo se deparando com inevitáveis déjà vu, cada auditoria apresenta sempre um novo desafio, e isso é fascinante. Demanda do profissional uma visão matricial, generalista, interconectada; que ele seja um nexialista.

Em 1950, o livro The Voyage of the Space Beagle, que inspirou a série Jornada nas Estrelas, trouxe o termo “nexialista” pela primeira vez na figura do Capitão Kirk. Mesmo não sabendo todas as respostas, ele combinava os diferentes talentos de seus especialistas para chegar a conclusões e a resultados fantásticos.

O termo foi adaptado para a área de negócios em 2008, com o livro  “O Marketing na Era do Nexo” e parece ser uma abordagem ideal para se inserir também na auditoria, em um contexto em que se intensificam as transformações digitais, sociais e biológicas.

Estabelecer nexo, unir, conectar, o nexialista traz a lume o sentido da competência daquele que articula as múltiplas e rápidas informações da era tecnológica, na construção de soluções. Trata-se de um alquimista, um combinador dessa profusão de saberes. As formações profissionais exclusivas e excludentes podem ser constituir em caixas limitadoras, que impeçam o exercício da auditoria com a eficiência necessária para a construção de valor. Não é a toa que os mais eficientes órgãos públicos de auditoria, têm um perfil multidisciplinar em seus times. 

A auditoria como função nas organizações no mundo 4.0, evolui e se aprofundam, exponencialmente, nas demandas por novos saberes e interconexões exigidas para produzir diagnósticos conclusivos e insights consistentes à melhoria dos controles internos e, assim,  agregar valor à organização.

Para cumprir sua missão, o auditor, em suas análises e recomendações, precisa atentar à necessária conexão, sentido e lógica entre objetivos organizacionais, à visão e realidade do seu segmento. Deve ser transdisciplinar.

 Tem-se assim um cenário no qual os especialistas podem se tornar obsoletos e impinge ao auditor um perfil de competências amplo e de constante atualização fora de pensamento linear e padronizado. Há possibilidades para o desaprendizado e não utilizar de visões monoculares nos objetos de análises e recomendações.

 “Para quem só tem um martelo, todo problema parece um prego”, já alertava o escritor Mark Twain. É preciso ter um cinto de utilidades e capacidade de enxergar as organizações como parte de um todo mutável. É essencial construir previsões que auxiliem na tomada de decisões com nexo, provendo insights ou melhorias, com a observância aos requisitos tradicionais da profissão de proficiência e zelo, além de adicionar a competência de ser nexialista.

A gestão se transformou e a atividade de auditoria interna também. Ao invés de se discutir, o que anda na moda ou quais funções serão extintas, seria importante que os debates se dessem em relação ao redesenho necessário nessas profissões tradicionais, além de discutir que caminhos serão mais relevantes sobre os novos contextos que se descortinam. Nesse sentido, o nexialismo trará percepções plurais e interessantes para os ambientes corporativos.

*Marcos Vinícius Braga é auditor governamental na CGE/RJ e doutorando em políticas públicas (UFRJ). 
Rossana Guerra é auditora governamental (TJPB e UFPB), doutora em ciências contábeis, conselheira do Instituto dos Auditores Internos do Brasil. 

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Fonte: Jornal Contábil
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