O cenário fiscal brasileiro vive um momento de transição histórica. Com a carga tributária atingindo 32,2% do PIB — o maior nível em duas décadas —, o empreendedor brasileiro enfrenta o desafio de migrar para um novo modelo de impostos. 

Dentro dessa mudança, os chamados regimes especiais surgem como peças-chave para garantir que setores estratégicos não sejam sufocados pelo novo sistema.

Para quem está à frente de um negócio, entender se sua empresa se encaixa em uma dessas regras pode significar a diferença entre o lucro e o prejuízo.

O que são os regimes especiais?

Os regimes especiais são tratamentos diferenciados criados para situações que fogem à regra geral do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços)

Eles existem por uma razão simples: a neutralidade. O objetivo é evitar que a nova tributação mude drasticamente o preço de itens básicos, como comida e remédios, ou prejudique setores com cadeias de produção muito longas.

A Reforma divide essas exceções em dois grandes grupos:

  1. Regimes Específicos: Mudam a própria lógica de como o imposto é calculado. É o caso de combustíveis e serviços financeiros, onde a cobrança acontece de forma concentrada ou sobre o ganho líquido.
  2. Regimes Diferenciados: Mantêm a forma de cálculo, mas reduzem a alíquota. Aqui é onde a maioria das empresas de serviços e comércio deve prestar atenção.

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Três faixas de desconto

A lei definiu faixas de redução que buscam proteger o consumo e serviços essenciais:

  • Alíquota Zero: Itens da cesta básica nacional e medicamentos específicos não pagarão IBS e CBS. Isso visa reduzir o custo de vida e beneficiar o varejo alimentar.
  • Redução de 60%: Aplicada a serviços de educação, saúde, dispositivos médicos e produtos agropecuários. Se a alíquota padrão for de 25%, por exemplo, esses setores pagariam apenas 10%.
  • Redução de 30%: Um benefício exclusivo para profissionais liberais regulamentados (como contadores, advogados e médicos). A medida visa amortecer o aumento da carga que o setor de serviços sofreria na migração para o novo modelo.

Impactos práticos para as pequenas empresas

Para o dono de uma pequena empresa, o impacto vai além do imposto impresso na nota. A Reforma altera o fluxo de caixa. No novo sistema de “não cumulatividade plena”, cada centavo de imposto pago na compra gera um crédito que abate o valor a pagar na venda.

Outro ponto crítico são os contratos de longo prazo. Se você presta um serviço contínuo, o custo tributário que você calculou em 2024 pode não ser o mesmo em 2026. É fundamental revisar contratos agora e incluir cláusulas de reajuste para que a mudança de alíquota não “coma” sua margem de lucro.

Desafio da transição entre 2026 e 2033

O período mais delicado será a convivência entre os dois sistemas. Durante sete anos, a empresa precisará calcular os impostos antigos e os novos simultaneamente. Esse cenário é um prato cheio para erros fiscais e multas.

A saída para o pequeno empresário é a automação. Fazer cálculos de regimes especiais manualmente será praticamente impossível sem o suporte de softwares de gestão (ERPs) que se atualizam em tempo real com as novas Leis Complementares.

Atitudes para o empreendedor tomar agora

  Portanto, o sucesso durante a migração do sistema depende de uma gestão estruturada e atenta. O acompanhamento contínuo das alterações normativas é essencial para prevenir erros na apuração, reduzir a exposição a multas e assegurar que a tomada de decisão empresarial esteja alinhada à nova realidade fiscal do país.

A seguir, o checklist que todo empreendedor deve seguir neste momento atual: 

  • Verificar se sua atividade principal está na lista de redução de 60% ou 30%.
  • Calcular o impacto do fim dos impostos antigos e a entrada dos novos para não perder competitividade.
  • Garantir que seu emissor de nota fiscal esteja preparado para o IBS e a CBS.
  • O papel do profissional contábil agora é estratégico para o planejamento tributário da transição.

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