A vida ficou bem mais prática com o Pix e a maquininha. Todavia, a facilidade que ajuda a vender é a mesma que te denuncia para a Receita Federal. Se antes era fácil esconder uma nota ou outra na gaveta, hoje o governo montou um radar que não deixa passar nada.

É como se o brasileiro estivesse dentro do BBB (Big Brother Brasil) e a Receita Federal olhando tudo o que acontece do lado de fora. O órgão agora cruza o que entra na sua conta com o que você diz que vendeu. Se o dinheiro do Pix caiu, mas a nota fiscal não saiu, o alerta acende na hora lá em Brasília.

Portanto, o Leão agora tem visão de raio-X e sabe de cada centavo que entra no seu caixa. Quem ainda tenta misturar a conta de casa com a da empresa ou deixa de emitir nota está praticamente pedindo para levar cair na malha fina.

Por meio de informações enviadas por bancos, fintechs e plataformas de e-commerce, o Fisco consegue confrontar o que foi declarado com o que efetivamente passou pelas maquininhas e contas bancárias.

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Papel das operadoras de cartão 

Desde 2003, as operadoras de cartão são obrigadas a entregar a Decred (Declaração com Operações de Cartão de Crédito). O envio ocorre sempre que as transações superam R$ 5 mil mensais para pessoas físicas ou R$ 10 mil para empresas. 

Essa, portanto, é uma das ferramentas mais tradicionais do Fisco para flagrar omissões de receita. Quando surge uma divergência significativa, a Receita concede um prazo de 60 a 90 dias para a autorregularização. 

Se a empresa não corrigir a falha ou pagar o imposto devido, o risco é alto: exclusão do Simples Nacional e cobrança retroativa com multas pesadas.

Entrada das fintechs no radar

Se antes apenas os grandes bancos reportavam movimentações, hoje o cenário mudou. A e-Financeira, criada em 2015, agora obriga fintechs como Nubank, Inter, PicPay e Mercado Pago a informarem transações que ultrapassem R$ 2 mil (PF) e R$ 6 mil (PJ).

Vale destacar que, apesar de boatos recentes, não existe tributação sobre o Pix. O que ocorre é o monitoramento da movimentação para verificar se o dinheiro que entra na conta corresponde às vendas declaradas pela empresa.

Reforma Tributária e o futuro da fiscalização

A importância da nota fiscal deve crescer ainda mais com a Reforma Tributária. Especialistas alertam que o novo sistema permitirá que compradores só aproveitem créditos tributários se a transação for devidamente comprovada por documento fiscal.

Além do nível federal, estados e municípios também possuem suas ferramentas de controle:

  • DIMP (Declaração de Informações de Meios de Pagamentos): Criada em 2020, obriga bancos e marketplaces a enviarem dados mensais aos estados, independentemente do valor.
  • Foco no ISS: Municípios utilizam versões similares da DIMP para fiscalizar prestadores de serviço.

A recomendação dos especialistas é que toda venda, seja no atacado ou varejo, deve ser acompanhada de nota fiscal. A tecnologia do Fisco evolui mais rápido do que a capacidade de improviso de muitos gestores, e a transparência tornou-se a única via segura para a sobrevivência do negócio.

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