Por Poliana Nunes e Daniel Guerra
Comunicação CFC

Nesta quarta-feira (2), os cartões-postais de todo o planeta se iluminam de azul em alusão ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo. A data, instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007, busca aumentar a compreensão sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), além de promover a inclusão social para uma participação igualitária na sociedade. Em 2025, o tema é “Informação gera empatia, empatia gera respeito”, com a hashtag #RESPECTRO nas redes sociais.

Mas e no mercado de trabalho, como será que essas pessoas são acolhidas? Em um cenário cada vez mais atento à inclusão e à diversidade, histórias de superação e talento se destacam como exemplos inspiradores. Na Contabilidade, há exemplos de sucesso profissional e acadêmico, inspirando dedicação, luta e – principalmente – trajetórias de sucesso.

É o caso de Ynis Ferreira, uma profissional autista que conquistou seu espaço na Contabilidade, desafiando estereótipos e provando que o espectro autista não é um obstáculo para o sucesso. Com um olhar meticuloso para os números e uma capacidade analítica excepcional, Ynis tem se destacado pela precisão e dedicação em seu trabalho, seja atuando nas práticas contábeis ou em sala de aula – enquanto professora.

“O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é complexo, multifacetado e diverso. Dessa forma, ele tem impactos pelo menos nas interações sociais, na dificuldade de comunicação, nos interesses restritos e nos movimentos estereotipados. Eu tive meu diagnóstico na vida adulta e foi muito complexo, pois há uma ideia de que o TEA é mais prevalente nos indivíduos do sexo masculino. Assim, a maioria dos testes de diagnóstico eram voltados as características masculinas”, recorda.

Ynis entende que há a necessidade de mais diálogo sobre a inclusão e acessibilidade na Contabilidade, exatamente para que todos possam ter as mesmas oportunidades. “Durante a minha vida eu sofri preconceito e discriminação. Os meus rótulos sempre foram a explosiva, a ignorante, a que é ‘8 ou 80’, antissocial, cheia de manias e que quer tudo do seu jeito”, lamenta.

Filhos

Além dos desafios da vida profissional diante do TEA, Ynis conta que tem dois filhos que também são autistas. “Quando meu primeiro filho nasceu, eu vi minha vida de cabeça para baixo. Eu lembro que quando eu soube do diagnóstico fiquei desesperada, e ao andar com ele nos braços, eu chorei. Minha outra filha também foi diagnosticada com o autismo. Por tudo isso, a vida da nossa família exige rotina estabelecida. Regras como dia de jogar, dia de ler livros, dia de assistir filmes… Tudo tem que ser cronometrado. Nós temos os lugares na mesa, o copo e o tipo de tecido. A gente evita mudanças abruptas pois isso melhora nossa qualidade de vida pois evita casos de ansiedade e depressão. A quebra de rotina afeta a todos nós” explica a contadora.

Para dar conta de tantas peculiaridades, Ynis conta que necessita de auxílio. “O autismo é um ‘combo’ e geralmente não vem só. Então nós todos temos TDAH [Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade] também. Faço terapia e procuro buscar uma rede de apoio, mesmo assim não consigo fazer tudo. Me cobro muito, isso causa ansiedade e depressão. Eu estou aprendendo que as vezes errar é humano, mas às vezes acho que estou num oceano nadando e nunca chega o outro lado”, compara.

Currículo de respeito

Além de atuar como contadora, Ynis coordena a Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Conselho Regional de Contabilidade do Pará (CRCPA) e integra a Comissão de Inclusão e Diversidade do CFC. Ela também é professora do Programa de Pós-graduação em Educação Especial e Inclusão Socioeducacional da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e do Programa de Pós-graduação em Gestão dos Recursos Naturais e Desenvolvimento Local na Amazônia da UFPA. Possui doutorado em Administração e é Mestre em Gestão dos Recursos Naturais e Desenvolvimento Local na Amazônia.

Sua atuação na defesa e na luta pela inclusão e acessibilidade é intensa. Ynis integra o Acessar – Núcleo Amazônico de Acessibilidade, Inclusão e Tecnologia da UFRA, onde também é presidente da Comissão de Inclusão e Acessibilidade.

Seu currículo inclui a coordenadoria do Cipó – Laboratório Interdisciplinar de Empreendedorismo, Inovação e Inclusão das Amazônias, a atuação como pesquisadora do Grupo de Pesquisa Gestão Social e Desenvolvimento Local, pesquisadora do Núcleo de Estudos em Contabilidade e Meio Ambiente da Universidade de São Paulo e membro do Coletivo Contábil de inclusão e Diversidade.

Fonte: Conselho Federal de Contabilidade
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