
A área de Saúde e Segurança do Trabalho (SST) atravessa um período de transformação acelerada, impulsionada por mudanças sociais, tecnológicas e econômicas.
Para o profissional de contabilidade e gestores de Recursos Humanos, antecipar o cenário de 2026 torna-se uma necessidade estratégica, visto que a conformidade com as Normas Regulamentadoras (NRs) exige adaptações contínuas nos processos de gestão de risco e na prestação de informações aos órgãos fiscalizadores.
Especialistas apontam que o horizonte de 2026 será marcado pela integração definitiva entre tecnologia, saúde mental e sustentabilidade.
A seguir, vamos falar dos impactos que prometem revolucionar o setor e influenciar as próximas atualizações normativas.
1. Consolidação da SST 4.0
A digitalização e a automação deixaram de ser diferenciais para se tornarem a espinha dorsal da prevenção. A gestão reativa dá lugar à inteligência de dados, onde plataformas de Learning Management System (LMS) automatizam trilhas de aprendizagem por cargo e setor.
No campo contábil, a validação jurídica desses processos ganha segurança por meio de certificados com assinatura digital (ICP-Brasil) e relatórios de auditoria instantâneos, facilitando o cumprimento de exigências legais e fiscais.
2. Gestão de riscos e análise preditiva
A utilização da Internet das Coisas (IoT) e de dispositivos vestíveis (wearables) permite o monitoramento de sinais vitais e condições ambientais em tempo real. Aliado ao uso de Big Data, o setor de SST passa a operar com análise preditiva.
Algoritmos identificam padrões em dados históricos, permitindo que as empresas ajam proativamente antes que incidentes ocorram, otimizando recursos e protegendo a integridade do trabalhador.
3. Saúde mental como risco ocupacional
Observa-se uma mudança de paradigma no reconhecimento dos riscos psicossociais. Questões como estresse crônico e burnout passam a ser tratadas com o mesmo rigor dos riscos físicos. Espera-se que as futuras atualizações das NRs incluam diretrizes específicas para a avaliação de saúde mental no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), exigindo que as organizações controlem fatores como assédio moral e carga excessiva de trabalho.
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4. Alinhamento à agenda ESG
A sigla ESG (Ambiental, Social e Governança) consolidou-se como pilar estratégico. A gestão de SST é o indicador mais tangível do compromisso social de uma empresa.
Até 2026, a integração entre indicadores de segurança e relatórios de sustentabilidade será padrão de mercado. Investidores e auditores passarão a utilizar esses dados para mensurar a maturidade e a resiliência das operações empresariais.
5. Modernização e revisão das NRs
O processo de atualização conduzido pela Comissão Tripartite Paritária Permanente (CTPP) permanece ativo. Normas como a NR-04 (SESMT) e a NR-15 (Insalubridade) estão sob análise para revisões que considerem o nível de risco das atividades e os impactos das mudanças climáticas.
Além disso, a NR-10 deve ser atualizada para contemplar novas matrizes energéticas, como sistemas solares e pontos de recarga para veículos elétricos.
6. Tecnologias imersivas e robótica
O uso de Realidade Virtual (VR) e drones na linha de frente da segurança do trabalho minimiza a exposição humana a riscos críticos. Simulações em ambientes virtuais aumentam a retenção de conhecimento em treinamentos de alto risco, enquanto robôs e drones assumem tarefas em áreas de difícil acesso, como inspeções em altura (NR-35) ou em espaços confinados.
7. Educação contínua e fator humano
O modelo de treinamento anual torna-se obsoleto diante da rapidez das mudanças. A tendência para 2026 é a adoção do microlearning — pílulas de conhecimento rápidas e acessíveis via dispositivos móveis — e da gamificação.
No entanto, ressalta-se que a tecnologia não substitui a cultura de segurança comportamental, que foca na liderança pelo exemplo e no entendimento dos fatores humanos por trás de cada processo produtivo.
Conclusão
Por fim, a preparação para o cenário de SST em 2026 exige que as empresas e seus assessores contábeis modernizem suas práticas de gestão.
A conformidade normativa passará, inevitavelmente, pela adoção de ferramentas digitais capazes de garantir a precisão das informações e a saúde integral do capital humano.
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