
O agronegócio brasileiro concluiu em 2026 uma de suas mais profundas transições administrativas: a digitalização completa da emissão de documentos fiscais. O tradicional bloco de notas de papel foi definitivamente substituído pela Nota Fiscal de Produtor Eletrônica (NFP-e), modelo 55.
Esta mudança não é apenas uma troca de suporte, mas uma integração do campo ao ecossistema de fiscalização em tempo real da Receita Federal e das Secretarias de Fazenda estaduais.
Obrigatoriedade e os marcos legais
A jornada para a obrigatoriedade da NFP-e foi marcada por sucessivos adiamentos, visando dar fôlego para que pequenos e médios produtores se adaptassem à infraestrutura de internet e aos sistemas de emissão.
O marco decisivo ocorreu em meados de 2024, quando o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) estabeleceu o calendário final.
Desde 1º de janeiro de 2025, a obrigatoriedade passou a valer para todos os produtores com faturamento superior a determinado patamar (geralmente R$ 1 milhão anual, variando conforme o estado). Já em 1º de dezembro de 2025, o cerco se fechou para os demais produtores, independentemente do volume de vendas.
Assim, ao iniciarmos 2026, a emissão eletrônica é a única via legal para o trânsito de mercadorias e a comercialização de insumos, gado e grãos em todo o território nacional.
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O papel estratégico do contador na transição
Para o produtor rural, a transição para o meio digital exige mais do que um computador e conexão à internet; exige conformidade técnica. É neste ponto que a figura do contador torna-se indispensável.
O profissional contábil é o responsável por garantir que o Cadastro de Produtor Rural (IE) esteja devidamente vinculado ao Certificado Digital (e-CPF ou e-CNPJ), ferramenta obrigatória para assinar digitalmente as notas e garantir sua validade jurídica.
Além disso, a contabilidade atua na correta parametrização dos impostos incidentes, como o Funrural, o ICMS (em casos de operações interestaduais) e a correta aplicação de isenções ou diferimentos.
O erro na emissão de uma NFP-e pode acarretar o travamento da carga em postos fiscais, multas pesadas e, em última análise, a suspensão da inscrição estadual do produtor.
Como emitir a NFP-e
A emissão da NFP-e exige uma sequência de requisitos técnicos que devem ser seguidos rigorosamente:
- O produtor deve adquirir um certificado digital padrão ICP-Brasil. Ele funciona como uma assinatura com validade jurídica no ambiente virtual.
- É necessário solicitar o credenciamento como emissor de NFP-e junto à Secretaria de Fazenda do estado onde a propriedade está localizada.
- O produtor pode utilizar o emissor gratuito fornecido por alguns estados ou softwares de gestão agrícola (ERP) que automatizam o processo e integram os dados ao controle de estoque e financeiro.
- A nota é emitida e autorizada online. O documento que acompanha a carga é o DANFE (Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica), que pode ser impresso ou apresentado digitalmente em fiscalizações. Vale lembrar que o arquivo XML da nota deve ser guardado por, no mínimo, cinco anos.
Benefícios além da fiscalização
Embora a obrigatoriedade tenha gerado resistência inicial devido às dificuldades de conectividade em regiões remotas, os benefícios a longo prazo são claros.
A NFP-e reduz drasticamente os erros de preenchimento manual, elimina custos com a guarda de blocos de papel e agiliza a obtenção de créditos e financiamentos bancários, uma vez que a movimentação financeira do produtor torna-se transparente e auditável.
Em 2026, o produtor rural que ainda não se adequou à NFP-e encontra-se em uma situação de vulnerabilidade comercial, ficando impedido de fornecer para grandes cooperativas e frigoríficos, que hoje exigem a conformidade digital como pré-requisito de compra.
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