Nomeação de Sandra Campos para liderar grupo técnico da Associação Interamericana de Contabilidade reforça
a participação brasileira no combate a crimes financeiros e na promoção da ética e da transparência nas Américas

A vice-presidente de Fiscalização, Ética e Disciplina do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Sandra Campos, foi nomeada presidente do Comitê Especial Técnico de Prevenção à Lavagem de Ativos da Associação Interamericana de Contabilidade (AIC). A designação foi oficializada em 17 de outubro de 2026, por meio de comunicado do Comitê Executivo da entidade internacional, e representa o reconhecimento da atuação brasileira no fortalecimento dos mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro e de promoção da integridade na profissão contábil.

O comitê tem importância estratégica diante dos riscos associados à utilização de empresas, operações financeiras e estruturas patrimoniais para ocultar a origem ilícita de recursos. Entre as práticas que exigem atenção estão movimentações incompatíveis com a capacidade econômica dos envolvidos, transações sem justificativa comercial, estruturas societárias que dificultam a identificação dos verdadeiros beneficiários e operações que buscam conferir aparência de legalidade a recursos provenientes de atividades criminosas.

A atuação técnica voltada à prevenção desses riscos contribui para proteger a integridade do sistema financeiro, reduzir a possibilidade de utilização indevida dos serviços contábeis, fortalecer a transparência das operações econômicas e preservar a confiança da sociedade nas instituições e nos profissionais da contabilidade. O tema também envolve a prevenção ao financiamento do terrorismo e da proliferação de armas de destruição em massa, conforme os padrões internacionais e a legislação brasileira.

A escolha de Sandra Campos considerou seus conhecimentos técnicos, sua trajetória profissional e sua dedicação ao desenvolvimento da profissão contábil nas Américas.

No comunicado de nomeação, o presidente da AIC, Nelson Hahn, o primeiro vice-presidente, Silvio Rizza, e o vice-presidente de Assuntos Técnicos, Idrián Estrella, destacaram a expectativa de que o grupo contribua para elevar os padrões técnicos e éticos da profissão no continente, em consonância com o Plano Estratégico Institucional da associação.

Ao receber a nomeação, Sandra Campos ressaltou a responsabilidade de liderar os trabalhos do organismo internacional.

“Me sinto muito honrada por ser nomeada para participar e coordenar este Comitê, ciente da desafiadora missão que iremos empreender”, afirmou.

O papel estratégico da contabilidade

A participação brasileira no comitê ocorre em um contexto de crescente atenção à responsabilidade dos profissionais da contabilidade na identificação e na prevenção de operações financeiras ilícitas.

Pela natureza de suas atividades, esses profissionais ocupam posição estratégica na análise de movimentações financeiras, registros patrimoniais, estruturas societárias e transações comerciais. Esse conhecimento permite identificar inconsistências entre a documentação apresentada e a realidade econômica das operações, bem como reconhecer indícios que exigem maior diligência.

Em palestra apresentada durante o Seminário de Integridade e Compliance Contábil, em São Paulo, Sandra Campos destacou a importância da capacidade técnica e do compromisso ético dos contadores na prevenção à lavagem de dinheiro. Na ocasião, enfatizou que a atividade contábil não se limita à análise de documentos e números, mas envolve a compreensão das relações econômicas e dos riscos associados às operações.

No Brasil, a Lei nº 9.613, de 3 de março de 1998, estabelece mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro e inclui determinados serviços contábeis entre as atividades sujeitas a obrigações específicas de identificação, registro e comunicação de operações.

Essas responsabilidades são regulamentadas, no âmbito da profissão contábil, pela Resolução CFC nº 1.721, de 18 de abril de 2024, que entrou em vigor em 2 de setembro daquele ano. A norma estabelece procedimentos de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo e da proliferação de armas de destruição em massa, com destaque para a adoção de controles internos e de uma abordagem baseada em riscos.

Entre os procedimentos previstos estão a manutenção de cadastros atualizados dos clientes, a identificação de beneficiários finais, quando possível, o registro de operações e a comunicação de transações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A resolução determina que operações suspeitas identificadas no âmbito dos serviços abrangidos pela norma sejam comunicadas ao Coaf em até 24 horas, contadas do conhecimento do fato. Também prevê a comunicação de determinadas operações em espécie superiores a R$ 100 mil, mesmo quando não houver indícios de irregularidades.

Esses mecanismos buscam reduzir o risco de que estruturas empresariais e serviços contábeis sejam utilizados para dissimular a origem de recursos ilícitos, dificultar a identificação de seus beneficiários ou conferir aparência de legitimidade a transações criminosas.

Cooperação internacional e fortalecimento da ética profissional

A prevenção à lavagem de dinheiro exige articulação internacional, uma vez que operações ilícitas podem envolver movimentações financeiras, empresas e patrimônios distribuídos por diferentes países.

Nesse cenário, o Comitê Especial Técnico de Prevenção à Lavagem de Ativos da AIC constitui um espaço de cooperação e intercâmbio de conhecimentos entre profissionais da contabilidade das Américas. Sua atuação pode contribuir para o compartilhamento de experiências, a discussão de práticas preventivas e o fortalecimento da cultura de conformidade e responsabilidade profissional.

A presidência de Sandra Campos amplia a presença brasileira nos debates técnicos internacionais e destaca a contribuição da contabilidade para a transparência econômica, a prevenção de ilícitos e a proteção do interesse público.

A nomeação também evidencia a importância da fiscalização e da ética profissional como instrumentos para preservar a credibilidade da contabilidade e fortalecer a confiança da sociedade nas informações econômico-financeiras.

Por Saulo Moreno
Comunicação CFC

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Fonte: CFC
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